segunda-feira, 1 de junho de 2009

Família face ao autismo

A família é o primeiro agente de socialização da criança, logo cabe à família inseri-la num meio onde se sinta bem e seja aceite (B - Pereira, M.C & Serra, H. (2005). Página: 12).
O nascimento de uma criança autista faz surgir numa família mudanças a nível psíquico, que corresponde à sua adaptação às necessidades especiais da criança (B - Pereira, M.C & Serra, H. (2005). Página: 16).
Quando surgem os primeiros sintomas do autismo, é demonstrada uma grande angústia por parte dos pais e, surgem logo as primeiras perguntas: “como é que isto nos aconteceu?”; “o que é que fizemos mal?”; “Haverá algum tratamento ou operação que possa ajudar o nosso bebé?” (B - Pereira, M.C & Serra, H. (2005). Página: 16). Surge então a revolta e até a rejeição em relação ao próprio filho (B - Pereira, M.C & Serra, H. (2005). Página: 17). Existe um período em que os pais das crianças se isolam com o filho, por receio que não o aceitem ou até mesmo por vergonha da criança (B - Pereira, M.C & Serra, H. (2005). Página: 18). Daí a necessidade de desenvolver a aceitação e adaptação dos pais, para proporcionar à criança um ambiente de amor e carinho. Com o tempo, os pais vão aceitando que têm uma criança diferente, surgindo então o processo de compreensão e aceitação em relação à criança (B - Pereira, M.C & Serra, H. (2005). Página: 19). Existem pais que não estimulam os filhos; que são demasiado tolerantes ou demasiado rígidos, que não comunicam com a criança e desencorajam os seus comportamentos, o que pode afectar a criança ao nível afectivo (B - Pereira, M.C & Serra, H. (2005). Página: 17).
Existem investigações que afirmam que, de todos os distúrbios, o autismo é o que provoca mais dúvidas e dificuldades em aceitar a criança, na medida em que se trata de uma perturbação ao nível da relação social e comunicativa, logo vai impedir a relação pais/filho (B - Pereira, M.C & Serra, H. (2005). Página: 16).
Para ajudar estas famílias, foi criada uma instituição, denominada de APPDA, que visa ajudar as crianças autistas, principalmente os familiares que os acompanham. A APPDA foi fundada em 1971 em Lisboa, com o nome de APPCA (Associação Portuguesa para a Protecção de Crianças Autistas). Em 2002, a APPCA passou a chamar-se APPDA (Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo) e as delegações formadas, passaram a chamar-se “Associações Regionais”, a APPDA-Lisboa, a APPDA-Norte e a APPDA-Coimbra, APPDA-S.Miguel e Santa Maria, nos Açores e a
APPDA-Viseu.
A direcção da APPDA-Lisboa é composta por cinco pais de pessoas autistas e são estes os cinco elementos que controlam todos os serviços, representações, projectos, programas e publicações. Esta instituição conta com a colaboração de um psiquiatra, de um pediatra, de um psicólogo e de um professor de educação
especial.
Os objectivos da formação desta instituição são: promover os direitos das pessoas com autismo, colaborando com instituições portuguesas e internacionais; promover a formação e a educação de pessoas autistas, visando a sua integração no ambiente escolar e social; dar apoio e formação às famílias de pessoas com autismo e melhorar a qualidade de vida dessas mesmas pessoas, através de diagnósticos, educação, centros de actividades ocupacionais e áreas
residenciais.

Estratégias que estimulem a criança autista

Os tratamentos para o autismo correspondem a uma estimulação feita à criança para que interaja com o meio e com as outras pessoas. Esta estimulação passa por terapias que corrigem este tipo de comportamento, nomeadamente, Psicoterapia, Ludoterapia e Musicoterapia.
A Psicoterapia consiste em sessões com um psicólogo qualificado para casos de autismo. A Ludoterapia consiste em sessões com jogos que estimulem a criança. A Musicoterapia consiste em sessões de terapia com música, também para estimular a criança.
Para além destas terapias, também podem ser utilizadas a Terapia Crânio Sacral e a Libertação Miofacial. A Terapia Crânio Sacral consiste no toque muito suave na zona da cabeça, para estimular o sistema nervoso da criança e assim aliviar o stress da mesma. A Libertação Miofacial consiste no relaxamento dos músculos do corpo. É recomendado a crianças muito stressadas, que sofrem de insónias e que são muito agitadas.
O outro tipo de tratamento é através de medicação. Esta medicação não trata o autismo, mas controla a impulsividade e a agitação e tenta combater a agressividade.
A maioria das crianças, quando vão para o jardim-de-infância, gostam de brincar e de fazer novos amigos, ao contrário das crianças autistas que preferem afastar-se e centrar-se em determinados objectos (Hewitt, S. (2006). Página: 13).
Todos estes tratamentos feitos por terapeutas ocupacionais devem ser complementados no jardim-de-infância. Com a intervenção dos pais e professores, as crianças podem ser auxiliadas para socializar com as outras crianças (Hewitt, S. (2006). Página: 14).
Devido às dificuldades demonstradas, existem estratégias para integrar uma criança autista no jardim-de-infância, e estas são: a familiarização do espaço escolar e as competências para fazer amizades.
Em relação à familiarização do espaço escolar, a criança deve ter pelo menos duas visitas ao jardim-de-infância antes de começar o ano lectivo. Na primeira visita, deve-se utilizar a mesma entrada que a criança usará quando começar a escola (Hewitt, S. (2006). Página: 17). Nesta visita, a criança deve ser levada a conhecer todos os locais que terá acesso quando começar a escola, explorando cada espaço ao seu gosto e durante o tempo que necessitar, tendo contacto com os brinquedos e materiais que vai usar. Se a criança reagir bem a esta visita, deve-se levar a criança a conhecer todo o pessoal docente e não docente que trabalha na instituição. Na segunda visita, deve-se repetir todo o processo utilizado na primeira visita. Em ambas as visitas deve-se ter muita calma e não apressar a criança, ela deve demorar o tempo que precisar (Hewitt, S. (2006). Página: 18). Quando o ano lectivo começar, é necessário apresentar a criança aos seus amiguinhos da escola para estes se adaptarem à criança autista e esta às outras crianças. Para que a criança se adapte é pertinente pedir a um ou dois pais que deixem que os seus filhos fiquem no jardim-de-infância mais ou menos 15 minutos depois dos outros meninos saírem (Hewitt, S. (2006). Página: 21). Outra estratégia a ser utilizada é deixar que a criança se despeça dos pais ao portão do jardim ou então à porta do recreio, mesmo que chorem, a criança acalma-se assim que os pais forem embora (Hewitt, S. (2006). Página: 22). Também se pode convidar os pais destas crianças a fazerem companhia aos filhos durante o tempo que estão no jardim. Para que a criança se adapte ao jardim-de-infância também podem estar presentes só no período da manhã ou da tarde, antes de ficarem a tempo inteiro. O recreio, os períodos de almoço e o lanche também devem fazer parte da familiarização, pois estas crianças precisam muito de rotinas e assim inclui-se logo estes pontos importantes (Hewitt, S. (2006). Página: 23). Um dos aspectos mais importantes a familiarizar é um local sossegado dentro da sala para que a criança se possa recolher quando achar necessário. O objectivo destas estratégias é que a criança se sinta bem e confiante no jardim, sem ter os seus pais por perto (Hewitt, S. (2006). Página: 24).
Em relação às competências para fazer amizades, é necessário um ensino individualizado de competências sociais, antes que lhe sejam apresentados os amigos que o acompanhem ao longo do tempo que estiver no jardim (Hewitt, S. (2006). Página: 24).

Conversas sobre o autismo

A palavra autismo vem do grego “autos” que significa “próprio”, ou seja, a criança autista vive num mundo que é só dela, fechando-se em si mesma.
O autismo pode ser ligeiro ou severo, atingindo maioritariamente os rapazes. Caracteriza-se por alterações no desenvolvimento da criança, evidentes nos primeiros meses de vida, que afectam a capacidade motora e a linguagem. Contudo, as crianças autistas não demonstram a sua diferença através de características faciais, uma vez que possuem um aspecto saudável.
Estas crianças manifestam quatro principais características:
Dificuldade de interacção social e de comunicação social e de imaginação;
Apresentam comportamentos repetitivos e uma resistência a coisas novas;
São muito rígidas consigo mesmas e com as outras pessoas, tornando-se agressivas se alguém as contraria;
Apresentam problemas de compreensão e interpretação, tendo dificuldades em expressar emoções e pensamentos.
As causas exactas do distúrbio do espectro autista ainda não são conhecidas, mas podem estar associadas a factores genéticos ou a doenças que afectam o desenvolvimento do cérebro do feto durante a gravidez.
Podemos distinguir três tipos de factores: os factores pré, peri e pós-natais.
Os factores pré-natais ocorrem durante a gestação do feto:
A mãe pode contrair várias doenças, tais como, a sífilis, a rubéola, a SIDA e os diabetes (Dr.Torrescasana, J.M.; (1989); Página: 60),
O consumo de álcool, de drogas, de tabaco, de cafeína e as intoxicações;
A incompatibilidade do fator Rh;
Ocorrência de hemorragias no primeiro mês de gravidez;
Gravidez de risco;
O uso de medicação (A - Pereira, M.C & Serra, H. (2005). Página:27).
Os factores peri-natais são aqueles que ocorrem durante o parto:
· Parto demorado, em que a criança fica privada de oxigénio (Dr.Torrescasana, J.M.; (1989); Página: 62);
· O bebé pode nascer prematuro, provocando danos no cérebro devido à desnutrição.
· Ocorrência de acidentes, em que o bebé escapa das mãos do médico e cai no chão.
Existem ainda, factores pós-natais, ou seja, depois do nascimento:
Devido à vulnerabilidade do bebé, este está sujeito a várias doenças, tais como, a rubéola, a meningite e febres muito altas, o que pode danificar o seu cérebro;
Ferimentos na cabeça;
Acidentes de automóvel;
Traumatismos cranianos;
Violência doméstica (Dr.Torrescasana, J.M.; (1989); Página: 61).
Quanto às características, de uma forma geral, as crianças autistas demonstram ter aparência saudável, no entanto apresentam graves lacunas ao nível social e emocional. Têm dificuldade em relacionar-se com outras pessoas, rejeitando o carinho atribuído pelos pais. Revelam, também, obsessão pelos objectos; são indiferentes ao mundo que as rodeia e apresentam hiperactividade, bem como movimentos repetitivos e estereotipados. Estas crianças têm necessidade de uma rotina, tornando-se agressivas à mínima mudança ocorrida; os jogos são sempre dentro da mesma linha, não revelando imaginação para modificar essa forma de jogar. Para além destas características, estas crianças fazem perguntas de forma repetitiva e em ocasiões inadequadas.

Autismo

Ainda não conseguimos postar o vídeo. Mas aqui fica Link para o Vídeo que encontramos sobre o autismo.